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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Algumas coisas que você não sabe sobre mim (e eu tinha vergonha de contar)

- morro de medo de altura. Mor-ro.

- eu ronco.

- não gosto de filmes de ficção científica e muito menos de espaço. Me dão desespero.

- dormi em Star Wars. E em Matrix. E não, eu non consigo entender picas

- não consigo assistir nada que mostre o fundo do mar. Fico com falta de ar. Quando eu era criOnça, meu pai assistia os documentários do Jacques Cousteau, daí eu pedia Vick Vaporub pra binha bãe não conseguia respirar. Acho que a única coisa do fundo do mar que consegui assistir foi Procurando Nemo. Nem os Snorkels eu podia ver...

- todos os dias, sem exceção, eu passava na mesma catraca do metrô ( 37), porque tinha a impressão de que se eu passasse em outra, meu dia non seria bom. O tempo passou, algumas coisas mudaram e eu parei com o lance da catraca. Quer dizer, ainda tenho minhas recaídas. Pensamento mágico é una bosta.

- todos os dias, eu sento do mesmo lado do ônibus, pra poder ver um poodlezin pretin e gordin que fica numa borracharia.

- eu como malmita, de vez em quando. :oP

- quando eu era criOnça, beus bais me levaram no circo pra ver três trapalhões (Dedé, Mussum e Zacarias). Eu ri tanto, tanto, mas tanto que o Mussum veio até onde estávamos e me pegou no colo. Obamis! Obamis! \o/

- quando eu tinha 13 anos, gostava do Menudo.

- tenho pânico de qualquer coisa sobre o fim do mundo: documentários, filmes, livros e principalmente, previsões. Ao mesmo tempo, sempre dou um jeitinho de ficar sabendo. E depois, tenho pesadelos.

- já fiz xixi na cama, depois de grande. :oP

* UPDATE:

- não sei nadar, apesar de AMAR piscina.

- não sei andar de bicicleta. :o(




***************

Por enquanto, só lembrei disso.
Tem mais, eu sei que tem (as cabeludas eu non conto, porque ainda tenho vergonha... he he...).
Minha mente deve ter criado um bloqueio. :oP

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Poesia do Mês

RESÍDUO

De tudo ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco.

Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).

Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.

Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço ― vazio ― de cigarros,
ficou um pouco.

Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.

Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.

Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?

Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil...
De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver... de aspirina.
De tudo ficou um pouco.

E de tudo fica um pouco.
Oh, abre os vidros de loção
e abafa o insuportável
mau cheiro da memória.

Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão.
Às vezes um rato.

Carlos Drummond de Andrade


Tem gente me olhando!



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